Marketing Jurídico e o Código de Ética da OAB: uma combinação possível?

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O setor jurídico sofreu uma grande transformação nos últimos anos e isso alterou completamente a dinâmica do mercado. Apesar disso, os advogados continuam adotando técnicas antiquadas, que já não servem mais à nova realidade.

Neste artigo, vamos ver o que você pode fazer para captar mais clientes, aumentar o faturamento do seu escritório e alavancar a sua advocacia, respeitando as limitações do Código de Ética da OAB.

  1. Mutações no mercado jurídico

Em vinte anos, o número de cursos de Direito no Brasil aumentou oito vezes, representando, em 2015, 700% da quantidade de cursos existentes em 1995.

Como consequência, o número de profissionais no mercado teve um salto gigantesco, já tendo ultrapassado a marca de um milhão de advogados no País.

Como não poderia deixar de ser, o crescimento na oferta de advogados gerou uma disputa acirrada por fatias de mercado com ofertas de trabalho cada vez mais insustentáveis.

  1. Novo mercado, antigas estratégias

Além da massificação do mercado, as novas tecnologias aplicadas ao setor jurídico, vêm mudando a forma de contratar o serviço de advocacia.

Prova disso é o constante crescimento das startups que conectam advogados com clientes em todo o Brasil, em um processo totalmente online.

Essa realidade demonstra como as pessoas estão buscando por mais praticidade e agilidade em seu dia a dia, não fazendo mais questão de conhecer o advogado pessoalmente e nem de condicionar a contratação à indicação de um colega ou familiar.

Apesar dessa mudança cultural, a formação do advogado continua sendo extremamente tradicional e vinculada a costumes que já não representam mais a realidade.

A consequência disso, é a formação de profissionais que não sabem como se comportar nesse novo mercado. Por isso, acham que o que funcionou há vinte anos atrás, ainda é o caminho adequado a percorrer e continuam insistindo no erro.

Aqueles que param para pensar fora da caixa e entendem que, um novo cenário, precisa ser enfrentado com novas estratégias, são os que têm obtido maior destaque nesse mercado.

  1. O que é marketing jurídico?

Marketing é a ciência que explora, cria e entrega valor para satisfazer, com lucro, as necessidades de um mercado-alvo. Trata-se de estratégia necessária a qualquer profissional liberal, ou empresa, que pretenda ter ou potencializar seus resultados.

Já marketing jurídico é a denominação que se convencionou atribuir ao marketing aplicado ao setor jurídico.

O marketing jurídico visa promover a imagem do advogado, aumentando o alcance de divulgação do seu trabalho para potenciais clientes.

  1. Isso não é vedado pelo Código de Ética da OAB?

 Depende. O Código prevê algumas vedações ao uso de estratégias de marketing por advogados, mas isso não veda por completo o seu uso. Vejamos.

É vedado:

  • Divulgar o serviço de advocacia em conjunto com outra atividade;
  • Veicular o serviço prestado pelo advogado através de rádio e televisão;
  • Fazer publicidade usando nome fantasia;
  • Mencionar, direta ou indiretamente, qualquer cargo, função pública ou relação de emprego e patrocínio que tenha exercido, passível de captar clientela;
  • Utilizar placas com aspecto mercantilista (outdoors e semelhantes são vedados);
  • Utilizar símbolos incompatíveis com a sobriedade da advocacia;
  • Usar símbolos oficiais e os utilizados pela Ordem dos Advogados do Brasil;
  • Fazer referência a valores dos serviços e condições de pagamento;
  • Indicar o tamanho, qualidade e estrutura da sede profissional;
  • Remeter correspondência a uma coletividade visando captação de clientes;
  • Responder com habitualidade consulta   sobre   matéria   jurídica,   nos   meios   de
  • comunicação social, com intuito de promover-se profissionalmente;
  • Debater, em qualquer veículo de divulgação, causa sob seu patrocínio ou patrocínio
  • de colega;
  • Abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que
  • o congrega;
  • Divulgar ou deixar que seja divulgada a lista de clientes e demandas;
  • Insinuar-se para reportagens e declarações públicas.

É permitido

  • Anunciar os serviços profissionais do advogado, com discrição e moderação, para finalidade exclusivamente informativa;
  • Participar, eventualmente, de programa de rádio ou televisão para manifestação profissional, visando a objetivos exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal.

Como se percebe, as permissões de marketing na advocacia estão sempre vinculadas à finalidade informativa e educacional.

Deste modo, o que é vedado é aquele marketing que visa a mera publicidade para captação de clientes, dissociado do fornecimento de informação útil à população.

De certa maneira essas limitações, apesar de precisarem ser reformuladas em alguns pontos, resguardam os menores advogados, pois estes poderiam ser massacrados pelos grandes escritórios com altos orçamentos  para investir em publicidade.

  1. Marketing de conteúdo: o caminho viável

A saída para fazer um marketing de qualidade com alto alcance, viável a qualquer um e compatível com as limitações do Código de Ética é o chamado: marketing de conteúdo.

Através dessa estratégia o interessado em comercializar um determinado produto ou serviço vai produzir conteúdo relevante para uma audiência que tenha potencial de contratá-lo.

O objetivo primeiro não é a venda, mas sim a ajuda, o fornecimento de informação de qualidade que visa educar aquele público-alvo sobre o produto ou serviço a ser comercializado.

A venda ocorre no momento em que aquela audiência, entendendo a importância daquele produto ou serviço para resolver algum problema que possui, visualiza naquele sujeito que o ajudou, o melhor candidato para contratar.

Por meio do fornecimento de conteúdo útil para o seu público-alvo o advogado passa a construir uma percepção de autoridade. Ou seja, os potenciais clientes passam a enxergar nele alguém que possui muito conhecimento e capacitação naquele tema, construindo uma relação de confiança em seu trabalho.

No entanto, fazer marketing de conteúdo exige alguma capacitação deste advogado, que precisa passar a enxergar que, apenas o conhecimento técnico em sua área de especialização não será capaz de conduzi-lo ao sucesso que almeja. Não nos dias atuais.

Por isso, é preciso abrir a mente para novos conhecimentos e apostar em capacitação em diferentes áreas para conseguir construir uma carreira sólida e rentável.

  1. Conclusão

 O mercado jurídico de hoje não é o mesmo de vinte anos atrás e, por isso, o advogado que almeja ter sucesso nesse cenário precisa investir em conhecimentos multidisciplinares para se destacar em um mercado ultra concorrido.

É totalmente possível compatibilizar o uso do marketing na advocacia com as limitações do seu Código de Ética, basta apostar em uma estratégia de conteúdo, voltada para a educação do seu público-alvo, auxiliando-o e construindo um relacionamento com ele.

Uma vez que a relação de confiança esteja construída, tenha certeza que o seu nome será o primeiro a ser cogitado pelo seu potencial cliente.

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 Nayara Menezes Santos
 Advogada Especialista em Direito Constitucional
 Fundadora da empresa Advocacia de Resultado. 
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