Estratégia: por que grandes empresas buscam parceiros especializados?

Parceria

O cenário business moderno se mostra altamente competitivo, complexo e versátil. Empresas já compreendem que para maximizar a produtividade e a vantagem competitiva faz-se necessária a sua modificação operacional, uma vez ser imperiosa a antecipação das tendências mercadológicas e sua adequação ao futuro, em vez de uma atuação de adaptação reativa.

Segundo Porter[1], na tentativa de inspirar excelência no nicho mercadológico de interesse, as organizações empresariais necessitam elaborar e implementar estratégias criativas para se manterem no mercado. Contudo, os gestores sabem que não podem trocar suas equipes a cada nova tendência de mercado, mas também, não conseguem impulsionar as pessoas a buscarem capacitação fora do ambiente de trabalho. É nesse ponto de entendimento que grandes empresas já tem compreendido que podem construir uma rede de colaboradores, com competências especializadas, para aumentar a probabilidade de sucesso na busca por inovação.

Importante salientar, contudo, que não se trata de terceirizar a cultura corporativa, mas proporcionar que essa cultura crie novas habilidades com a construção de um ecossistema que melhorará a vantagem competitiva através do desenvolvimento da capacidade interna. Assim, um dos primeiros destinatários que as empresas buscam parceria com as competências necessárias para que iniciem a construção do referido know-how é para o departamento jurídico.

Nesse contexto, já é fato que o departamento jurídico da organização não pode atuar somente quando há o surgimento de um litígio. Hoje em dia, esta atuação, na visão global de uma organização, é entendida como uma atuação ineficiente, uma vez que o problema já ocorreu. O departamento jurídico deve ser incluído na gestão estratégica, pois ele também, indubitavelmente, cria valor como os demais departamentos estratégicos empresariais.

Portanto, temas como criptomoedas e blockchain tem estado entre as pautas da referida atualização de conhecimento. A compreensão se contratos inteligentes podem melhorar as competências e diminuir os custos da empresa, entender questões políticas, aprender como implementar a tecnologia blockchain respeitando aspectos legais, qual o custo para que contratos inteligentes permitam às companhias criar acordos complexos e autoexecutáveis com novas classes de fornecedores, demandarão menos tempo, caso haja parceria eficaz com consultores jurídicos com habilidades específicas e capazes de atender de imediato essas necessidades. É através de treinamentos, revisões documentais e pareceres comprometidos com a clareza e responsabilidade da informação que se pode acelerar o processo de adaptação.

Reflita-se, então, para contextualizar, uma empresa do setor siderúrgico que realiza transações com setores de bens de capital, bens de consumo e indústria automotiva, que queira implantar e implementar, através da tecnologia blockchain, seu cenário de suprimentos para rastrear suas remessas através de todo o transporte de mercadoria. Essa empresa precisará aprender os riscos, extensão da interdependência tecnológica contra a modularidade, quais as partes da cadeia de valor serão a chave para essa criação, além de outros desdobramentos.

Contudo, se o departamento jurídico não estiver alinhado com essa busca por inovação, gerará gargalos desnecessários no avanço das ideias e não entenderá, por exemplo, como a tomada de decisão do dia a dia pode ser programada em código inteligente e registrada de forma imutável ou como caracterizar controle multiassinatura dentro da empresa. Ainda, poderá desrespeitar a legislação local facilitando, por exemplo, uma futura responsabilização jurídica. Assim, para combinar os recursos e as capacidades internas na criação de proposições de valor para os clientes e segmentos de mercado almejados, necessita-se, primeiro, de treinamento e assessoria para acompanhar a evolução das estratégias.

Portanto, de maneira geral, o departamento jurídico deve entender o negócio e os objetivos estratégicos da empresa e se adaptar a eles. Assim sendo, fato é que a tecnologia blockchain pode melhorar o serviço ao cliente, aumentar a eficiência e melhorar os resultados enquanto permite integridade e transparência nos procedimentos empresariais.

Entretanto, importante que o departamento jurídico possa lidar com os direitos do trabalho, tributário, contratual, do consumidor e compliance aplicados às criptomoedas e tecnologias distribuídas. Contudo, é com obtenção de aptidões assertivas que esses profissionais serão capazes de sintetizar um apanhado de informações, demonstrando coerência e facilitando a criação de oportunidades para a empresa, sem impedir o desenvolvimento através da tecnologia.

[1]     PORTER, Michael E. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústria e da concorrência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

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Amanda Lima

Amanda Lima

Advogada do QBB Advocacia, com atuação em direito empresarial. Consultora para negócios em Blockchain e criptomoedas. Criadora e Professora no Curso Blockchain Descomplicada para Advogados. Professora convidada do Insper. Professora do curso Blockchain na Prática no Seu Futuro.com. Vice-Presidente da Comissão de Direito das Inovações e Startup da OAB/RN. Articulista E-commerce Brasil e Influenciadora do Aviso Urgente. Co-idealizadora do comitê Ladies da AB2L e Cofundadora do 1º capítulo do Legal Hackers do Brasil. Participou, como convidada, de Audiência Pública na Câmara dos Deputados Federal, proferindo palestra acerca da pauta sobre regulamentação da tecnologia Blockchain na Comissão da Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

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